domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caras

Eu nunca gostei de homens tão bonitos, porque geralmente eles não são aptos para mim. Não que eu seja a masoquista da beleza, mas é puro instinto. Acredito que os homens bonitos demais, geralmente são burros ou safados demais. Afinal, eles não têm porque melhorarem, já são esteticamente qualificados. Ah, eu não estou falando nenhuma novidade.
Conheço um casal, o qual é perfeito um para o outro. Vivem, enriquecem, embelezam-se: para mim. Isso mesmo que você leu. Tudo para mim, para o meu pai, mãe, irmão, tio, tia e até mesmo para o vovô que quase nem enxerga mais. Ela, a menina mais bonita da cidade. Ele, o namorado dela. Saem diariamente no jornal. Entre Photoshops e paparazzis, ela exibe sua última obra prima-cinco milhões de litros de silicone que endurecem e aumentam suas mamas. Desde quando o jornal da cidade existe, vovô o assina. Diariamente, com o pouco que lhe resta de visão, ele se delicia olhando para o jovem decote que vem com destaque no seu velho jornal, com as últimas gotas de testosterona que tem. Quando vou dar-lhe um beijo na testa antes de ir trabalhar, me deparo com vovô super envergonhado com o jornal na mão bem na página da menina que conheço, a do silicone. Ele sempre pensa que o peguei no flagra. Infelizmente, meu velhinho esqueceu dos oitenta anos que tem. Conseguindo empinar sua pipa somente quando já estou ligando o carro. Descobri esse fato um dia desses, quando ao ligar meu veículo,percebi a falta do celular. Precisei subir novamente. Deparei-me com a inesquecível cena de vovô brincando na melhor idade. O pior de tudo é que em um mês ainda tive o desalento de esquecer o celular por mais duas vezes! Talvez se a garota a qual encanta vovô fosse do meu fenótipo ele nem faria tanta questão de enxergar. Afinal, não nasci com pré-requisitos by Fafá de Belém. Na verdade, não me importo muito com o tamanho e sim com desenvoltura que eles tomam. Há ainda mamãe. Dia e noite soletra como tenho que ser para arranjar tal e qual namorado. ‘’Você tem que ser igual Fulana. Arranjar um namorado igual ao dela!’’Se mamãe fosse a única, bateria pé, mas sei que não. Se meu querido avô, meu pai,minha mãe, meu irmão...não pagassem para essa mídia vazia invadir e perpetuar dentro da própria casa, o quê seria do casal que nós pagamos? Fica essa dúvida. Sem querer, pagamos os homens e mulheres que desejamos ter e ser. Por isso, que ao em vez de berrar e enlouquecer atrás da utopia Brad Pitt e Tom Cruise, eu chamo Roberval Silva para um sarau e depois um motelzinho barato a luz de velas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A minha casa.

A minha casa também será engraçada. No meu quarto, quando eu acordar, independente da hora, ainda vai está escuro e à medida que o sono vai passando o Sol vai surgindo, desse jeito eu verei até quando puder, os dias nascerem. Quando eu olhar para o banheiro em dias de inverno o trabalho já estará cumprido: dentes escovados, banho tomado, orelhas limpinhas...tudo sem sentir frio. Já no verão, o banheiro vira piscina olímpica. Nada-se pelado, toma-se uma coca-cola ks com um churrasquinho sem dá celulite. Uma cervejinha gelada sem dá barriguinha. Homens bonitos não será o problema. O melhor? Serão másculos e inteligentes. A todo tempo farão o que eu quiser, não falarão vinte e quatro horas de futebol e rock’n roll nem serão mal talhados como meu último namorado. Serão românticos e falarão de Freud e de literatura. De quebra, dançando um sambinha na beira da piscina. Quase satisfeita e tomada banho, vou ler um livro. Nesse momento todos os barulhos possíveis somem e o livro que desejo aparece. Esse é o espaço mais confortável da minha casa, porque geralmente depois do livro diário escrevo as minhas poesias,ladeada de um bom e velho Nescau com bolachas Cream Cracker. Depois de depositar toda a minha inspiração em papéis, ligo para as amigas. Reunião. Ninguém precisa trazer dinheiro de coleta, porque as bebidas que precisaremos brotam de uma gimnosperma ainda não conhecida cientificamente. É uma planta rara e que só dá no meu quintal, muitos vizinhos vendo essa maravilha já tentam furtar a semente, mas não tem jeito, só nasce comigo por perto. Ela brota diariamente, tem dia que dá Scotch Twenty Year, outros que dá Licor Hennessy e até mesmo Cerpa Gold.Todo mundo bebe, bebe, bebe e no final da noite para quem achar que fez alguma coisa que não deveria fazer, há uma última esperança- é uma espécie de sauna do esquecimento, lá ficam guardadas em segredo eterno todas aquelas ‘besteirinhas’ que fazemos quando estamos porres. Com as amigas é a hora de ouvir o hardcore,o punk e no final da festinha particular, a música popular brasileira. O melhor da minha casa é que todo fumante não estraga o seu pulmão, porque a nicotina e as outras substâncias do cigarro que fazem mal, evaporam, essa foi a minha última criação-uma máquina revertedora de problemas para fumantes.Uma outra bem usada na minha casa, é a não destruidora de neorônios, para aqueles que usam outros tipos de vibes. A minha casa é assim, uma alegria só, ainda tem a cozinha, a suíte máster,a garagem, a varanda e o igarapé. Ela não é de vidro, mas é engraçada.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Bateu, levou




Gripe,Eucaliptus spp
Piolho, ácido acético
Contusões,Carapa guianensis
Inflamação, Copaifera sp
Fome, Cichla spp
Sede, Theobroma grandiflorum
Medo, Aedes aegypti
Fluxo, Rio Guamá
Residência, palafita
Lazer, aparelhagem
Milagre, N. S. De Nazaré
Ventilação, chuva
Marido, perfume da ‘perseguida’
Mulher, Rainha das Rainhas
Transporte,Sacramenta Nazaré
Gingado, Carimbó
Província, AP
Cantora, Fafá
Atriz, Dira Paes
Setor, Telégrafo
Moral, Guamá
Tradição, Cidade Velha
Criatividade, Pedreira
Cidade, Belém.

BELÉM


Em Belém tudo é assim:
Todo mundo misturado
Das patricinhas aos largados
Tudo vira estopim.
Aqui tem muita fofoca boa
Se fulana engravidar
Oh meu Deus, já foi é tarde!
Só a mãe dela diz:
- Foi sem maldade!
Mas todos já sabem no tacacá
Agora é quatro, antes era três
Com esse tal de efeito estufa
Até a chuva muda de hora
Daqui a pouco, até de mês.
Mas Belém ainda tem mangueira
Na avenida Nazaré inteira
Pra gente pegar sem besteira
A manga rosa galobeira
Chega julho, só nos bodes
A molecada ajeita a linha,
O cerol, enrola e enrola
E o céu mina de rabiola
Para uns é o Sal,
Pra outros e Moca
E ainda tem Marapanin, Bragança , Marudá...
Só igarapé firme
E selado pra desencalhar.
Aqui é bom por isso
Qualquer amor de férias
é capaz de superar
afinal, a distância pode ser longa
mas não tem serra pra atrapalhar.
ÉGUA!
Ainda tem muita coisa firme
Só morando aqui pra entender
Vim de Fortaleza, Ceará
Mas voltar pra lá?
Só se em Juazeiro um açude nascer!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Escuta


Existe no meio do povo
um barulho inerte a visão do romântico
Barulho este que o deixa ausente se ouvir clamar.
São vai e vens
de vozes criadas por quem não ama.
É aquele que faz o amor ser fingido,
O dono do timbre.
Ultrapassando leis,
infringindo barreiras,
Posso concertar o seu erro,
sua surdez.
Eu amo e escuto;
Deixe-me por um apelo
te fazer ouvir o coração do amor.

Casos


Não tenho casos do acaso
Nem por acaso,
Tenho casos secretos,
Casos sem métodos
Dia sim, dia não
Casos fiéis, casos sem perdão
Não sei se posso dizer
Não sei se devo chorar
Só sei que os meus casos do acaso
Precisam de um coração.

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