domingo, 28 de outubro de 2012

Susto

Ando meio assustada
Levando susto de tudo
Do vento, gente, do nada
 Pleft!!!
 Mais uma vez fecha-se a porta
O vizinho prende cinco periquitos na gaiola
Eles fazem muitos barulhos
 Pow!!!
 Meu irmão chegou e abriu a porta com toda força
Os periquitos dormem
Talvez agora eles nunca mais façam barulhos
 Porque estão dormindo...
 Tãm! Tãm! Tãããm!!!
O sino na igreja de São Raimundo soa
Logo na rua aqui da frente
Sem um por que.
Por quê?
Do nada ando meio assustada.

Inês

Nesse rascunho usado
 Por três, quatro, cinco, seis
 Humanos loucos, retardados
 Foi escrito sobre Inês.

Inês é linda Branca, loira e bem peluda
Linda...
A Inês peluda é linda.
Rapidamente meiga
Ela cospe em mim
Cospe com horror
Cospe chupando o amor que vê em mim

Inês morreu mês passado...

Não sabia se escrevia nesse rascunho usado
 Por três, quatro, cinco, seis
 Humanos loucos, retardados
 Foi escrito sobre Inês
 Inês é linda Branca, loira e bem peluda Linda...
 A Inês peluda é linda.
 Rapidamente meiga
 Ela cospe em mim
 Cospe com horror
 Cospe chupando o amor que vê em mim
 Inês morreu mês passado...
 Não sei se cuspo no caixão com horror porque ela morreu
 Ou por amor que sentirei
 Inês morreu

 Morreu...

Grupos

Há séculos viver em grupo é tarefa de muitos mamíferos. Mamíferos humanos também formam sociedades. Sociedades tão complexas quanto de abelhas e cupins. Eu acho que estes invertebrados não são mais fascinantes porque não o conhecemos com tanta profundidade. O objetivo de se unir a outros indivíduos da mesma espécie é fundamentalmente tornar a vida mais fácil. Porque viver em grupo é mais forte. E, apenas os mais fortes sobrevivem. Os que sobrevivem tentam sempre deixar algo. Geneticamente, filhos. Socialmente, obras. Entre milhões de outras coisas. O Homo sapiens buscou unir espécime por espécime por metro quadrado por causa do frio, da fome e pelo medo de ser predado. Eles perceberam há muitos anos atrás que ficando um perto do outro em noites frias, aquecia mais. Que se eles se unissem em busca de uma caça, embora tivessem que dividir o bicho, matariam a fome eficazmente. Também perceberam que se sozinhos eram presas mais fáceis. Tudo isso foi se tornando mais intenso ao longo da história evolutiva do homem. Por exemplo, no frio, além de ficar perto um do outro, descobriram o fogo e a vestimenta e passaram esta idéia à diante. Para caça, um de nós criou objetos cortantes, perfurantes e armas diversas e passaram essa informação para seus filhos. Não consigo não me impressionar com a criatividade e sabedoria dos homens. Mas sempre me vem uma analogia curiosa em mente ‘e a abelhas e cupins’? Tenho certeza que eles também têm histórias incríveis. Tão boas quanto as nossas. Cheia de superações, derrotas e vitórias. Talvez o arquivo de memória deles seja melhores do que imaginamos. Eu sei alguma coisa sobre a sociedade destes animais, porém, nada muito detalhado. Embora o pouco que eu saiba, me fascina bastante.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

História

Há vinte dias. Quase 500 horas de conhecimento. Conhecimento? Sim. Entre duas velhas pessoas jovens. O mais engraçado? Isso nunca terá um fim. Nunca. Talvez engraçado nem seja a palavra. Incrível? Normal? Inacreditável? Lastimável?
Poucos foram os dias de intenso sentimentalismo, paixão, amor (quem sabe). Muitos são aqueles que a vida lembrara ora sim, ora não, que essa pessoa já existia em outras épocas na minha própria história. Não seria belo, se não fosse dramático.
História bonita. História do tipo história de verdade. Não aquelas histórias aleatórias, das quais nos submetemos a criar e julgamos como grandes contos. Ainda que antes de tudo, tenhamos traçado trilhas mundiais opostas, elas nos apresentam no hoje uma interseção. Esta nos desmistifica. Aponta-nos quão semelhantes somos. Pensamentos imediatos, sob pressão de condições externas, sonhos profissionais, econômicos e sociais, criação, desejo, valores... Todavia, mostra-nos também a distinção. Religião, principalmente, mas não a fé. Arte, esporte, enfim, uma gama de coisas normais e distintas. Tudo isso é perfeitamente regular.
O mais legal é podermos entender a vida como um jogo. Não um joguinho de interesses baratos e superficiais. Nem como um grande jogo de vida ou morte, onde você atropela as pessoas em busca de seus objetivos. Mas como um jogo sério, do qual não podemos nos abster, mas também tem que ser jogado. Jogamos com armas parecidas. E, saber disso, me impressiona muito. Mas também me decepciona. Duas vezes, sim! Um por saber que tipo de jogo você faz. Duas por ver em você um reflexo de mim.
Então, mentimos. Sobre nós, sobre o que sentimentos, ou sobre o que iremos sentir. Logo, também falamos a verdade. Uma coisa não exclui a outra. Afinal, precisa ser algo totalmente verdadeiro ou totalmente falso? Enfim, a verdade sempre parece ser mais bonita. Falamos de amor tão cedo, gargalhamos de bobagens e de coisas realmente engraçadas, ficamos tristes, indiferentes. Ficamos. Dançamos a sós. Dançamos em multidões. Samba, blues, jazz, carnaval, rock. Menos sertanejo. Assumo que sou preconceituosa e considero muito ruim. Gritamos. Calamos. Desmerecemo-nos. Achamo-nos um melhor que o outro, tanto em coisas bobas, quanto em coisas realmente sérias e grandiosas como a muralha da China. Fingimos. Omitimos para não nos machucar. Para não nos machucar tanto.
Por fim, assumimos. Sejam boas ou ruins. Aos poucos ou bem devagarzinho. Cedo ou tarde. Fácil ou difícil. Talvez algumas coisas até nunca, afinal, passam tão repentinamente em nossas mentes, que no primeiro vento tropical é levado abraçado ao esquecimento. Assim, não sei se os dias irão continuar sendo conferidos por nós ou por alguém. Quem sabe? Eu não sei. A única coisa que sei, é que essa foi/é/será uma grande história. Uma história de verdade...

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