Há vinte dias. Quase 500 horas de conhecimento. Conhecimento? Sim. Entre duas velhas pessoas jovens. O mais engraçado? Isso nunca terá um fim. Nunca. Talvez engraçado nem seja a palavra. Incrível? Normal? Inacreditável? Lastimável?
Poucos foram os dias de intenso sentimentalismo, paixão, amor (quem sabe). Muitos são aqueles que a vida lembrara ora sim, ora não, que essa pessoa já existia em outras épocas na minha própria história. Não seria belo, se não fosse dramático.
História bonita. História do tipo história de verdade. Não aquelas histórias aleatórias, das quais nos submetemos a criar e julgamos como grandes contos. Ainda que antes de tudo, tenhamos traçado trilhas mundiais opostas, elas nos apresentam no hoje uma interseção. Esta nos desmistifica. Aponta-nos quão semelhantes somos. Pensamentos imediatos, sob pressão de condições externas, sonhos profissionais, econômicos e sociais, criação, desejo, valores... Todavia, mostra-nos também a distinção. Religião, principalmente, mas não a fé. Arte, esporte, enfim, uma gama de coisas normais e distintas. Tudo isso é perfeitamente regular.
O mais legal é podermos entender a vida como um jogo. Não um joguinho de interesses baratos e superficiais. Nem como um grande jogo de vida ou morte, onde você atropela as pessoas em busca de seus objetivos. Mas como um jogo sério, do qual não podemos nos abster, mas também tem que ser jogado. Jogamos com armas parecidas. E, saber disso, me impressiona muito. Mas também me decepciona. Duas vezes, sim! Um por saber que tipo de jogo você faz. Duas por ver em você um reflexo de mim.
Então, mentimos. Sobre nós, sobre o que sentimentos, ou sobre o que iremos sentir. Logo, também falamos a verdade. Uma coisa não exclui a outra. Afinal, precisa ser algo totalmente verdadeiro ou totalmente falso? Enfim, a verdade sempre parece ser mais bonita. Falamos de amor tão cedo, gargalhamos de bobagens e de coisas realmente engraçadas, ficamos tristes, indiferentes. Ficamos. Dançamos a sós. Dançamos em multidões. Samba, blues, jazz, carnaval, rock. Menos sertanejo. Assumo que sou preconceituosa e considero muito ruim. Gritamos. Calamos. Desmerecemo-nos. Achamo-nos um melhor que o outro, tanto em coisas bobas, quanto em coisas realmente sérias e grandiosas como a muralha da China. Fingimos. Omitimos para não nos machucar. Para não nos machucar tanto.
Por fim, assumimos. Sejam boas ou ruins. Aos poucos ou bem devagarzinho. Cedo ou tarde. Fácil ou difícil. Talvez algumas coisas até nunca, afinal, passam tão repentinamente em nossas mentes, que no primeiro vento tropical é levado abraçado ao esquecimento. Assim, não sei se os dias irão continuar sendo conferidos por nós ou por alguém. Quem sabe? Eu não sei. A única coisa que sei, é que essa foi/é/será uma grande história. Uma história de verdade...