terça-feira, 17 de novembro de 2015

Carta de um conto que depois te conto se me deres um conto...

Recife, 18 de novembro de 2015.

     Querida,


 por que tu fazes isso comigo? Mexe com minh'alma. Esquenta meu coração. Ignora a racionalidade. Desvaloriza a sociedade: padrões, costumes e conceitos hereditários que eu demorei anos para consolidar. Tu só podes ser louca! Eu que sou certinha demais, fico espantada com a tua energia. Ela é quente e rápida. Pode penetrar meu corpo frio como uma lava vulcânica. Rompendo camada após camada de tecido humano. Isto é instinto? Isto é paixão? Isto é insanidade? O que é isto? Por que isto?


      Ah, esqueci que tu és muda. Como poderias responder? Ou queres ser muda? Ou preferes ser muda? Ou deves ser muda? Aliás, apenas sempre és muda. De fato, não sei se tu és. Tudo bem (apesar disto me importar). Posso entender a tua razão de nunca optar por ter razão. A vista desarmada a paixão sempre finge ser muda para os defeitos. E isto pode ser químico. Isto pode ser tudo. Pode ser nada. A coorte da polaridade. O coito químico. Um princípio ativo de uma planta medicinal popular do universo não popular em que vivemos.


     Assim, tu me deixas perdida no seio da irracionalidade. No corpo utópico do prazer dos meus pensamentos não concretos. Deitando as duas: consciência e subconsciência em uma só cama. Cama esta, cheia de folhas secas no centro daquela floresta fria de montanhas tropicais. São montanhas antigas, onde passaram muitas vidas e histórias de seres que não importam para mais ninguém, a não ser para nós duas. Naquela hora, olhando a lua pensei que era a hora exata. Mas existe exatidão para dois corpos que carregam aflição e culpa na mochila? Por isto, te pergunto queria: por que tu fazes isso comigo?

 Beijos gelados em sua boca quente,



 F. P.

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