sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Maya

Enquanto o táxi me leva até à Empresa, minha imaginação me leva até o mais nu de ti. No balanço das ruas esburacadas, minha vagina bate contra o banco do carro e eu tenho um sinestésico orgasmo corriqueiro. Meu pensamento está embrulhado em um lençol de seda pura de um hotel luxuoso. Paredes de vidro. Vista para o mais azul do mar. Morangos e champanhe. Posso sentir o cheiro  de sexo. De amor. De paixão. De sedução. Corpos imperfeitos em um lance perfeito. Sua mão grossa passando sob minha pele fina e delicada. Não tão delicada quanto o meu humor selvagem. Um tanto quanto antagônico. Mulher com cara de menina. Menina com atitude de mulher selvagem ovulando. Você quer ser carinhoso. Eu te dou um tapa na cara e chupo teu pescoço até sua sua alma ficar arrepiada. Agora estou subindo pelo elevador do departamento. Ao mesmo tempo que subo pelas paredes. Apertando o botão pra te encontrar. E tu me apertando com teus dedos. Esse encontro será com roupas. Chato e monótono. A luz vermelha do sexto andar ascendeu com o toque dos meus dedos pressionando. A sua pressão com dedos estava mais forte ainda. Pressão essa que alvoroçou meu clitóris com plenitude. A mente estava sozinha naquele momento indo ao sexto andar. Quem entrasse naquela hora pela porta do elevador não perceberia pelo meu semblante, que eu estava imersa em prazer mental, só na ideia de te ver pessoalmente. Eu não preciso gritar alto para gozar. Pode me prender. Tapar a minha boca. Me fazer refém. 
O elevador parou. Não foi ninguém. A luz acabou. Faltou energia. Ou a minha energia ansiosa de prazer fez a máquina parar. Aproveitei o escuro para ir mais longe. Sentei. No escuro, fechei os olhos e mergulhei nesse clímax telepático. Pele com pele. Suor com suor. Tudo dentro. Vibramos juntos. Corpo a corpo. Alma a alma. O pulso quase saiu pelo peito. Cumplicidade do gozo saliente. A luz ascendeu. O rapaz da companhia de elevadores avisou que ía liberar o elevador. O sexto andar chegou. Quando a porta abriu. Alguém estava lá. Esse alguém. Exatamente esse alguém. Com um sorriso perigosamente paternal de saber que eu estava bem. O dia fluiu como se nada tivesse acontecido na minha cabeça. E de fato, nada aconteceu.

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